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Repositório do LNEG

Repositório Científico do Laboratório Nacional de Energia e Geologia

 

Entradas recentes

Geomorphological and sedimentary evolution of the Southwestern sector of the Tagus river [Resumo]
Publication . Dias, Ruben; Ressurreição, Ricardo; Legoinha, Paulo
ABSTRACT: The present-day Tejo River flows within the Lower Tejo Basin, a Cenozoic tectonic depression formed during the Alpine orogeny at the end of the Cretaceous and during the Paleogene under a NNE–SSW compressional stress. Deformation intensified during the Miocene with NNW–SSE compressional stress, reactivating pre-existing faults that controlled the accommodation space and thickness of the basin’s sedimentary fill. Tectonic inversion led to the uplift of the Lusitanian Basin and the Central Cordillera, which supplied sediments laterally to the Tejo Basin. Sedimentation began in the Paleogene with the development of extensive alluvial fan systems, later evolving into fluvial environments. Throughout the Miocene, the southwestern sector of the basin experienced several marine incursions, leading to the formation of reefs and coastal swamp environments that extended inland to the Santarém–Lavre region. Eustatic fluctuations caused repeated shoreline advances and retreats, controlling the position of the fluvial system. The pre-Tejo River developed as an alluvial plain dominated by a meandering system. At the beginning of the Pliocene, the pre-Tejo was characterized by an extensive alluvial plain transporting and depositing mainly medium- to coarse-grained siliciclastic sands. The river likely received contributions from the Alvalade Basin fluvial system and discharged into an estuary north of the Grândola range. The southern margin of the river can be recognized near Melides. Pliocene dating from Galé beach (Melides) and the Setúbal Peninsula indicates ages of ≈ 4.5 Ma (Ressurreição, 2018) and 3.8 Ma (Azevedo, 2006), respectively, showing progressively younger deposits towards the north. These data suggest that during the Pliocene the river gradually migrated northward, eventually reaching the Setúbal Peninsula. Clay deposits in the Pegões region, with considerable lateral extent and thickness, suggest proximity to the mouth of a major river system. During the Pleistocene, fluvial incision began and terrace levels formed as the valley progressively entrenched. The river continued to migrate northward and eventually established its outlet in the Gargalo do Tejo constriction, possibly due to tectonic activity along its fault and/or river capture. The main clay depocentre shifted to the Mar da Palha. Overall, during the Pliocene and Pleistocene, the estuarine sector of the Tejo fluvial system experienced a progressive northward migration until it became entrenched and stabilized in its present position.
New 87Sr/86Sr constraints on the marine Miocene of the Lower Tagus Basin and the Alentejo Coastal Plain (Portugal) [Resumo]
Publication . Ressurreição, Ricardo; Legoinha, Paulo; Dias, Ruben; Horta Pacheco dos Santos, José Francisco; Monteiro Ribeiro, Sara; Patinha, Carla
ABSTRACT: Sedimentation in the Lower Tagus Basin was strongly controlled by eustatic oscillations, with several marine incursions during the Miocene. Previous studies, based on biostratigraphic and isotopic data, identified ten depositional sequences in the southwestern sector of the basin that correlate with thirdorder eustatic cycles. Some of these transgressions reached considerable amplitudes, with marine influence extending up to ~80 km inland under the present-day configuration of the territory. Preliminary results of 87Sr/86Sr isotopic dating from oyster shells collected in the Lower Tagus Basin (LTB) and the Alentejo Coastal Plain (ACP) are presented (figure 1). At Vila Nova da Rainha, a 15.69 Ma age (correlating with Langhian, V-b unit at Lisbon) anchors the marine-influenced base of the local succession, exposing a ~5 Ma hiatus between these levels and the overlying sands with Hipparion (Vallesian, MN 9). This age corroborates previous bio-chronostratigraphic assignments. Marine and marginal-marine sediments crop out along the eastern margin of the LTB and in the ACP. In the Alcácer do Sal region and along the Melides–Sines coast, these deposits are assigned to the Alcácer do Sal Formation (upper Serravallian–lower Tortonian). However, further north, as far as Lavre (Montemor-o-Novo), geological mapping attributes them to a broader interval corresponding to the Vindobonian (Langhian–Tortonian). Oyster shells collected at two sites along the Marateca stream (Monte da Moinhola and Monte Novo) and at Melides yielded ages of 11.13 Ma, 11.03–7.32 Ma and 8.58 Ma. These values indicate Tortonian deposition and are consistent with the Alcácer do Sal Formation, suggesting that marine Miocene deposits cropping out as far north as Lavre may belong to this unit, representing one of the most landward-penetrating Miocene transgressions. At the base of the sea cliff at Galé beach (Melides), calcareous sandstones and sands with marine fauna have been mapped as part of the Alcácer do Sal Formation. However, 87Sr/86Sr dating of oyster shells yielded ages between 6.79 and 5.80 Ma, indicating Messinian deposition. These sediments can therefore be correlated with the Esbarrondadoiro Formation, a Messinian marine unit of the Alvalade Basin whose connection with the coastal area had not previously been unequivocally identified. This study contributes to the understanding of the marine Miocene of southwestern Portugal and has implications for paleogeographic reconstruction and geological mapping.
O controlo estrutural da Serra de Grândola [Resumo]
Publication . Ressurreição, Ricardo; Dias, Ruben; Cabral, João; Represas, Patricia; Carvalho, João
ABSTRACT: Essencialmente desenvolvida nos terrenos paleozóicos da Zona Sul Portuguesa (ZSP), a serra de Grândola constitui um grande bloco de geometria grosseiramente triangular basculado para SE, com altitude máxima (325 m) situada próximo da sua extremidade NW. Destaca-se da bacia de Alvalade, a N, e da planície litoral, a W, através de vertentes escarpadas de direcção WNW-ESE e N-S, respectivamente, passando em continuidade à superfície da bacia de Alvalade a SE. A vertente setentrional corresponde à escarpa da falha de Grândola, estrutura relevante na evolução cenozóica regional com sucessivos levantamentos do bloco S desde o Paleogénico. Ao longo de todo este bordo, o Cenozóico cobre em “onlap” as rochas da ZSP, desconhecendo-se contactos por falha à superfície. O seu traçado cartográfico é maioritariamente inferido. Existem evidências de deformação indicadas por fracturação e basculamento em afloramento, lineamentos gravimétricos importantes, sísmica de reflexão e sondagens. Estes dados, a par da evolução do campo de tensões cenozóico e enquadramento regional, sugerem que a falha de Grândola tem tido um comportamento predominante em desligamento direito face à compressão alpina. A vertente ocidental da serra é mais irregular, tendo direcção N-S, grosso modo. É parcialmente talhada em rochas mesozóicas do sector emerso da bacia do Alentejo, que se encontram basculadas para W e localmente muito fracturadas. A passagem da ZSP para a planície litoral coincide em alguns locais com a presença de falhas a que se associam pequenas escarpas, encontrando-se a deformação distribuída por um conjunto de estruturas de onde se destaca a falha de Deixa-o-Resto (NNE-SSW), de cinemática esquerda e inversa. A orientação de várias falhas, mais ou menos coincidente com os principais limites da serra, sugere que esta é um relevo controlado por sistemas conjugados de fracturas, paralelos aos bordos setentrional e ocidental, actuando com componente de movimentação direita no bordo setentrional e esquerda no bordo ocidental. Admite-se a existência de uma componente de deformação flexural da crusta acompanhando o deslocamento do bloco da serra de Grândola ao longo das zonas de falha, contribuindo para um empolamento da superfície topográfica, com máximo encurtamento junto à intersecção das duas famílias direccionais de fracturação. A falha de Grândola corresponderá assim a uma “tear fault”, delimitando a N a deformação vertical associada ao empolamento flexural, e acomodando o deslocamento para NW do bloco correspondente à serra através de movimentação horizontal direita (figura 1).
Cartografia pan-europeia de recursos geotérmicos superficiais e armazenamento térmico subterrâneo: abordagem metodológica no âmbito do projeto GSEU [Resumo]
Publication . Ramalho, Elsa; Arnó, Georgina; Santiago, Cristina; Caldera, N.; Steiner, C.; Herms, Ignasi; Canteli, P.; Carvalho, João
ABSTRACT: A geotermia superficial (SG) e os sistemas de armazenamento térmico subterrâneo (UTES) desempenham um papel crescente na transição energética da Europa. As políticas públicas europeias são, no entanto, dificultadas não só pela heterogeneidade geológica, hidrogeológica, climática e energética, como também por assimetrias significativas na disponibilidade de dados entre os vários países. O WP3 do projeto Geological Service for Europe (GSEU, https://www.geologicalservice.eu/) dos Eurogeosurveys (EGS) visa o desenvolvimento de um Atlas Pan-Europeu de Capacidades Geoenergéticas Sustentáveis, incluindo informação para os recursos de SG e sistemas UTES, para integração no EGDI (European Geological Data Infrastructure, https://www.europe-geology.eu/). Este trabalho apresenta a abordagem metodológica definida pelo Thematic Working Group (TWG) de SG e UTES, que procurou equilibrar rigor científico e viabilidade operacional. Após discussões entre os vários Serviços Geológicos Europeus (SGO), a metodologia proposta baseou-se na organização estruturada de datasets, na distinção entre os conceitos de favorabilidade e adequabilidade e na integração de critérios hidrogeológicos, térmicos, climáticos e de procura energética, recorrendo ao método G-POT simplificado, o que reflete a necessidade de assegurar uma cobertura pan-europeia, evitando dependências excessivas de dados locais de elevada resolução de informação. Adota igualmente o conceito de pirâmide (maior cobertura geográfica com menor rigor e áreas restritas com maior grau de conhecimento), reutilizando informação existente e introduzindo novos datasets estratégicos, distinguindo contextos onde condições hidrogeológicas favoráveis não coincidem com padrões equilibrados de procura energética. A inclusão de minas inundadas como recurso para armazenamento térmico introduz uma perspetiva inovadora, alinhada com o conceito de economia circular e valorização do património mineiro. Apesar da tentativa de simplificação, a sua implementação para a obtenção de uma cobertura à escala europeia enfrenta limitações decorrentes da diversidade de contextos geológicos e hidrogeológicos, da variabilidade climática e das diferenças nos padrões de procura energética. Além disso, a heterogeneidade da disponibilidade e qualidade dos dados dificulta a aplicação de uma metodologia fiável, uniforme e comparável, tornando-a um desafio. Os resultados esperados incluem, no entanto, um conjunto coerente e contínuo de mapas pan-europeus que suportem o planeamento energético, a tomada de decisão e a valorização sustentável do subsolo europeu.
Esboço geológico do maciço de Gebarela (Zona de Ossa-Morena) [Resumo]
Publication . Roseiro, José; Moreira, Noel; de Oliveira, Daniel Pipa Soares; Nogueira, Pedro
ABSTRACT: Dentro do conjunto das rochas alcalino-silicatadas da Zona de Ossa-Morena, o maciço de Gebarela consiste num pequeno plutão tabular e zonado concentricamente, com duas unidades aflorantes principais: (i) uma unidade interna composta essencialmente por albititos, e (ii) um anel externo com sienitos mesocratas. Este maciço instalou-se na Formação Carbonatada (Série 2 do Câmbrico) durante o evento de rifte intracontinental do bordo do Gondwana, a qual exibe evidências de metamorfismo da contacto com condições térmicas que atingiram pelo menos a fácies da hornblenda (por vezes formando rochas calco-silicatadas compostas quase exclusivamente por granada). Os albititos da unidade interna são hololeucocratas de grão médio, textura fanerítica equigranular cumulada compostos essencialmente por albite (1-3 mm), e por moscovite, magnetite e zircão acessórios. Por vezes, a albite mostra porções irregulares de exsolução de feldspato. Os sienitos mesocratas de bordo são mineralogicamente mais diversos, no lado NE ricos em albite e com abundante titanite, apatite e epídoto (pistachite) e no lado SW caracterizados pela presença da apatite, epídoto e granada (por vezes anisótropa, inferindo a componente grossulária dominante). O primeiro esboço geológico do maciço de Gebarela foi apresentado por Pinto Coelho e Gonçalves (1972) que descrevem, para além do zonamento interno, um conjunto de fácies sienitóides em profundidade atravessadas por uma sondagem, referindo a presença de anfíbola sódica, hornblenda, clorite e calcite. Enquanto o núcleo (albitito) provavelmente representa um produto direto da cristalização, a presença de minerais ricos em cálcio encontrados na periferia do maciço sugere a interação entre líquidos magmáticos alcalinos e as rochas encaixantes da Formação Carbonatada, em que assimilação ou metassomatismo nas margens deu origem ao conjunto de minerais calco-silicatados e apatite. Os efeitos da Orogenia Varisca notam-se na geometria do maciço, alongado segundo a tendência NNW-SSE, típico da 2ª fase de deformação regional observada nos padrões de interferência regionais (Moreira et al., 2014). A albite mostra evidências de recristalização tectono-metamórfica de baixo grau (abaixo dos 400ºC), designadamente microfraturação intensa, extinção ondulante, maclas em cunha e por vezes kinking. Para além disto, o maciço é intruído por um dique granítico orientado NE-SW (do sistema da Messejana) e afetado pelo padrão de fraturação tardi-Varisco segundo duas direções principais que refletem três falhas com abatimento vertical (direção WNW-ESSE, NE-SW e NNE-SSW) que controlam o padrão de afloramento.