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Orientador(es)
Resumo(s)
ABSTRACT: Essencialmente desenvolvida nos terrenos paleozóicos da Zona Sul Portuguesa (ZSP), a serra de Grândola constitui um grande bloco de geometria grosseiramente triangular basculado para SE, com altitude máxima (325 m) situada próximo da sua extremidade NW. Destaca-se da bacia de Alvalade, a N, e da planície litoral, a W, através de vertentes escarpadas de direcção WNW-ESE e N-S, respectivamente, passando em continuidade à superfície da bacia de Alvalade a SE. A vertente setentrional corresponde à escarpa da falha de Grândola, estrutura relevante na evolução cenozóica regional com sucessivos levantamentos do bloco S desde o Paleogénico. Ao longo de todo este bordo, o Cenozóico cobre em “onlap” as rochas da ZSP, desconhecendo-se contactos por falha à superfície. O seu traçado cartográfico é maioritariamente inferido. Existem evidências de deformação indicadas por fracturação e basculamento em afloramento, lineamentos gravimétricos importantes, sísmica de reflexão e sondagens. Estes dados, a par da evolução do campo de tensões cenozóico e enquadramento regional, sugerem que a falha de Grândola tem tido um comportamento predominante em desligamento direito face à compressão alpina. A vertente ocidental da serra é mais irregular, tendo direcção N-S, grosso modo. É parcialmente talhada em rochas mesozóicas do sector emerso da bacia do Alentejo, que se encontram basculadas para W e localmente muito fracturadas. A passagem da ZSP para a planície litoral coincide em alguns locais com a presença de
falhas a que se associam pequenas escarpas, encontrando-se a deformação distribuída por um conjunto de estruturas de onde se destaca a falha de Deixa-o-Resto (NNE-SSW), de cinemática esquerda e inversa. A orientação de várias falhas, mais ou menos coincidente com os principais limites da serra, sugere que esta é um relevo controlado por sistemas conjugados de fracturas, paralelos aos bordos setentrional e ocidental, actuando com componente de movimentação direita no bordo
setentrional e esquerda no bordo ocidental. Admite-se a existência de uma componente de deformação flexural da crusta acompanhando o deslocamento do bloco da serra de Grândola ao longo das zonas de falha, contribuindo para um empolamento da superfície topográfica, com máximo encurtamento junto à intersecção das duas famílias direccionais de fracturação. A falha de Grândola corresponderá assim a uma “tear fault”, delimitando a N a deformação vertical associada ao
empolamento flexural, e acomodando o deslocamento para NW do bloco correspondente à serra através de movimentação horizontal direita (figura 1).
Descrição
Palavras-chave
Contexto Educativo
Citação
Ressurreição, R., Dias, R., Cabral, J., Represas, P., & Carvalho, J. (2026). O controlo estrutural da Serra de Grândola. In: Livro de resumos, XII Congresso Nacional de Geologia, Évora, Portugal, 21-26 junho, 2026, pp. 87-88
